Sonetos
Quental, Antero de, 1842-1891
Portuguese
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Bibliotheca da Renascença
I
SONETOS
por
ANTHERO DE QUENTAL
PORTO
IMPRENSA PORTUGUEZA
MDCCCLXXXI
SONETOS
ANTHERO DE QUENTAL
SONETOS
PORTO
IMPRENSA PORTUGUEZA
MDCCCLXXX
HOMO
Nenhum de vós ao certo me conhece,
Astros do espaço, ramos do arvoredo,
Nenhum adivinhou o meu segredo,
Nenhum interpretou a minha prece...
Ninguem sabe quem sou... e mais, parece
Que ha dez mil annos já, neste degredo,
Me vê passar o mar, vê-me o rochedo
E me contempla a aurora que alvorece...
Sou um parto da Terra monstruoso;
Do humus primitivo e tenebroso
Geração casual, sem pae nem mãe...
Mixto infeliz de trevas e de brilho,
Sou talvez Satanaz;--talvez um filho
Bastardo de Jehová;--talvez ninguem!
DISPUTA EM FAMILIA
Dixit insipiens in corde suo: non est Deus.
I
Sae das nuvens, levanta a fronte e escuta
O que dizem teus filhos rebellados,
Velho Jehovah de longa barba hirsuta,
Solitario em teus Ceus acastellados:
«--Cessou o imperio emfim da força bruta!
Não soffreremos mais, emancipados,
O tyranno, de mão tenaz e astuta,
Que mil annos nos trouxe arrebanhados!
Emquanto tu dormias impassivel,
Topámos no caminho a liberdade
Que nos surriu com gesto indefinivel...
Já provámos os fructos da verdade...
Ó Deus grande, ó Deus forte, ó Deus terrivel,
Não passas duma van banalidade!--»
II
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