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Eco da Voz Portugueza por Terras de Santa Cruz

Castilho, António Feliciano de, 1800-1875

Portuguese



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Below is a summary of Eco da Voz Portugueza por Terras de Santa Cruz


a partir da digitalização do original, disponibilizada
pela Biblioteca Nacional de Portugal - This file was
produced from images generously made available by National
Library of Portugal)






Eco da Voz Portugueza por Terras de Santa Cruz

15 de Julho




*I*

Portugal!...

Miseranda patria minha!...

A que horrivel abysmo te arroja ingrata a filha de teu Rei!...

A filha do teu libertador!...

Aquella por quem espargiste o sangue de tuas veias com tanta
generosidade!...

Em que abysmo tão profundo foste precipitada, patria minha miseranda!...

Nova Polonia, vendida a tres nações, que te veneraram já, que já provaram
tua força e tua coragem!...

Portugal!...

Estrangulado entre as garras do Leopardo.... dilacerado pelos dentes do
Leão.... e por escarneo picado com os esporões do gallo, que sobre o teu
cadaver canta os hymnos mortuarios que a finada Polonia ouvira quando posta
em almoeda era vendida a quem mais dava!...

Portugal!...

De tanta glória passada, de tanta capacidade e inexgutaveis recursos que
ainda tens, de tanto patriotismo, dedicação, grandeza de alma, que ficará?

Nem mesmo um nome que tenha alguma significação.

E aos vindouros nada quererá dizer esta palavra, n'outras eras tão
significativa--Portugal.--


*II*

Rainha dos Portuguezes!...

Rainha pelos Portuguezes!...

Que Has feito dessa herança de virtudes que Teu Pai Comprou com a vida para
Ti?

Que Has feito da felicidade de Teu Povo a Ti confiada?

Que lhes Déste pelas suas esperanças?

Esse malfadado Povo não tinha mais que a Deos e a Ti.

Tu lhe Faltas: e Deos punirá nelle os teus peccados.

Rainha pelos Portuguezes!...

Juraram eles Comtigo o pacto de suas venturas: e a Ti, pelo que de Ti
deviam esperar, Te deram inviolabilidade: e ainda, blasfemos em suas
palavras de amor por Ti, disseram que Eras--Sagrada.--

Elles obedeceram tanto; elles cumpriram tanto, e de mais, as condições
desse pacto firmado a sangue de suas honrosas feridas de batalha, que a
fome, sómente a fome lhes poude arrancar um brado supplicante, e
afflicto... e não muito alto dado... não muito pungente... para não magoar
Teu coração... porque Te julgavam sua Mãi!...

A fome, sómente a fome lhes inspirou uma queixa humilde.

E Tu, Rainha pelos Portuguezes!...

Tu Atiraste ao Povo, que tinha fome, uma pedra com que os dentes lhe
Quebraste, que elle esfaimado entre-abrira, julgando que lhe Atiravas algum
pedaço de pão, que sobejava de tua lauta mesa, que elle paga!

Rainha pelos Portuguezes!...

Como foi que Tu Cumpriste o pacto Assignado por Ti, com lagrimas de saudade
a teu Pai votadas, e por teu Povo com sangue derramado por Ti?...

Qual era a condição de Tua inviolabilidade? Cumpriste-a Tu?

Não És Tu mesma a confessar que Transgrediste a lei pela qual Foste feita
Rainha?

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